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quinta-feira, 20 de junho de 2024

O automobilismo ainda é uma paixão?


    Para um apaixonado por automobilismo como eu, marcado pela perda irreparável de Senna, o interesse pelas corridas havia se esvaído como a fumaça de um pneu cantando na reta final. Por isso, confesso a surpresa quando, numa simples quinta-feira, fui questionado duas vezes sobre o mesmo assunto: a lendária 24 Horas de Le Mans.

    A magia da F1 se dissipou com o silêncio ensurdecedor que se seguiu à morte de Senna. Sem um novo talento brasileiro para vibrarmos, a chama da paixão foi se apagando lentamente. Não desmereço os pilotos que vieram, mas poucos reacenderam aquela fervorosa conexão que Senna despertava em toda uma nação. Talvez um novo tipo de competição, com suas próprias histórias e rivalidades, pudesse reacender a chama. Foi nesse contexto que as perguntas sobre as lendárias 24 Horas de Le Mans me pegaram de surpresa.

    E então, como um trovão em céu azul, a lembrança do filme "Ford vs Ferrari" invadiu minha mente. Assisti-lo pela segunda vez reacendeu uma faísca adormecida. Para quem ama carros e a épica batalha entre as máquinas e a perseverança humana, aquele filme é um portal para um mundo de paixão automotiva.

    A curiosidade falou mais alto. Armado com meu tablet e fones, acompanhei os primeiros momentos da corrida enquanto a vida seguia ao redor. As horas se desenrolaram em um turbilhão de safety cars, quebras e ultrapassagens espetaculares. Era impossível não se envolver, uma faísca daquela antiga emoção reacendendo a cada disputa na pista.

    Em meio ao espetáculo dos Hypercars, a história da equipe feminina Iron Dames, conquistando um notável 5º lugar na LMGT3, injetou uma dose de inspiração. E a Ferrari, a lendária marca que me lembrava dos tempos de glória na F1, protagonizou um feito incrível: campeã em 2023 após 50 anos de ausência, com o carro número 50. O destino, com sua ironia, quase lhes pregou uma peça em 2024 com a porta teimosa do carro 50, levando à vitória do carro 51. Os deuses do automobilismo realmente têm seu senso de humor!

    A cada volta, a cada ultrapassagem, a cada desafio superado, a paixão adormecida em meu peito despertava com uma nova intensidade. Aquele cético que havia se afastado do esporte redescobria um novo amor, uma nova razão para vibrar com o ronco dos motores.

    Agora, aguardo ansiosamente pelas 6 Horas de São Paulo, um retorno da emoção para nossa casa. Quem sabe, este novo ciclo não seja apenas meu, mas de tantos outros que, como eu, sentiram a falta de um ídolo como Senna, mas podem encontrar neste novo capítulo do automobilismo uma nova razão para se apaixonar.